quinta-feira, 15 de março de 2007

Soneto pra Começar e Terminar um Amor

Fico triste por não ter cometido
Em toda minha vida desregrada
Uma maluquice e uma exagerada
Sacanagem contigo sem ter mentido.
.
Falsa verdade não ter te vivido
Como foste inteira em minha vida
Louca, ávida e de tão decidida
A amar, que pareceu não ter sentido,
.
Dizer-me do vão momento estúpido,
Quer a certeza ou dúvida que ilude
Quem vive como eu, sem ter pendido.
.
Eis que neste instante, sóbrio e lúcido
Por já ter sofrido tudo o que pude
Que enfim e tarde me dou por vencido.

Soneto pra Vinícius

Caro mestre Vinícius de Moraes
"Capitão do Mato""De Alma Preta"
Aos seus cuidados, que nada é demais
Remeto-lhe, ainda que em proveta:

Dezessete sambas incompletos
E, caso muito não for exigir
Punhados de versos e sonetos
De nossa autoria, tudo a corrigir

E pra aproveitar esta ocasião
Teimosia minha, mas tão bela
E gravo meu nome ao lado do seu

Grande poetinha, a sua bênção
Um grande abraço e um último adeus
Do amigo Leonardo Quintela

Por Quanto Tempo

Pensei que tivesse me curado de você
E sem você passei meus anos vinte
Agora deixa o resto só pra mim

Dizia a mim mesmo que era o fim
A fim de desdizer meu coração
Da paixão que nunca consumi

Na vida, e como a vida vem
Não vem sem sair do triste
Que resiste por saber que não

Desiste não, enquanto não for
A dor embora, anda, flamba...
Ainda vou ser feliz com você

Debaixo da Ponte

Debaixo da ponte
Debaixo de chuva
Debaixo do mundo
Dorme um segundo
Um pouco da gíria
De um povo que sente
O suor que não vence
Que sempre diria
Ao Senhor, bom dia
Que sempre fazia
Um pouco da ponte
Um pouco do mundo
O teto lhe incabível.

Quem Disse?

Quem disse
E dirá
Ainda?
Triste foi
Mas valeu
Ter sido
Sofrido
Este amor
Que veio
E partiu.
Pois viví
O intenso
Momento
Contigo.
Não ganhei
Nem perdi
Apenas,
Te viví.

Marciano Abandonado


Onde foi parar aquele riso,
Que eu tinha...
Quando entrei na jogada,
No lance da vida...
Só via a cruz
Dos meninos de rua.
Aliás,
Se muitas padecem
Por aí, nas vias...
Nosso pais,
Vão buscar outros alívios,
Em outras vias Lácteas...
E com sorte, encontrarão
Outras vidas...
Estranho seria achar
Um marcianinho abandonado
Outras bocas de fome
Perdidas pelo universo...

A Rosa e o Guardanapo

Eis que neste ambiente
Regado de café
Risco num guardanapo
Uma poesia qualquer

Uma poesia qualquer
Que caia nas mãos certas
Feito uma rosa dada
A quem se ama demais

E por ter escrito assim
Tão de repente e cheio
De ilusão e de pudor
É que ela vem sem rimas

E sem mais, despetalo
O guardanapo como
Fosse ele a própria rosa.


*Postado originalmente no tópico "Poetas no Orkut's Café" da comunidade "Sociedade dos Poetas Mortos".